quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

A ilha

Se você ler meus reviews (no multiply) vai ver os comentários que fiz sobre o filme "A Ilha".

Pois é. Escrevendo sobre o filme, começei a pensar em ilhas. Mas não no sentido real da palavra. Pensei em isolamento. Pessoas que vivem isoladas ou que se isolam por não buscarem sua liberdade. Parece poético, mas é apenas real e bastante simples.

Não quero falar de psicologia, política, ou coisa assim. Certamento isso está envolvido, mas não é o ponto onde quero chegar. Pelo menos não hoje.

Vou partir de algo bem simples, que certamente quem ler esse texto vai poder entender. Vejam o exemplo da internet. Temos à nossa disposição uma quantia de informações que jamais se imaginou ser possível acessar. Pois bem, a coisa cresceu tanto que ficou difícil filtrar o conteúdo realmente útil, ou pelo menos o conteúdo que seja de nosso interesse. Hoje, iniciamos nosso navegador web qualquer em uma pagina qualquer, lemos um conteúdo qualquer, uma notícia qualquer, e ficamos aí passivos frente a toda informação que reluz na tela. Aí você me dirá: 'mas eu uso um sistema de busca bastante sofisticado. eu uso o yahoo!' ou 'eu uso o google e procuro a informação que quero ver'. Pois eu lhe digo que não sabemos usar nem um décimo do potencial dessas ferramentas e perdemos nosso precioso tempo (que hoje vale muito $$) com cliques inúteis que nos levam a conteúdos insuficientes, confusos e superficiais. Sistemas de busca são apenas uma das ferramentas que não sabemos usar. Ou você sabe me dizer como encontrar em menos de 5s o significado de uma palavra sem ter que passar por mais de duas páginas? Ou ainda, quantos são os que sabem como ter em seu desktop notícias atualizadas de conteúdos relevantes e apenas de seu interesse?

O que me preocupa é o fato de estas informações, essas ferramentas e tudo mais estar disponível para todos que tem acesso à internet (por enquanto vamos considerar apenas quem tem o acesso). O conteúdo não é segmentado. O que eu consigo ver aqui é o mesmo que você consegue ver aí! Então por que algumas pessoas sabem utilizar o que a rede oferece de forma simples, rápida e eficiente enquanto outras navegam sem rumo e muitas vezes sem encontrar o que buscam? Tentado achar respostas para esse questionamento, encontrei uma série de possibilidades. Não quero dar peso maior à uma ou outra, nem achar culpados. Apenas quero deixar meus pensamentos aqui para quem ler também refletir.

Pois bem. Uma das primeiras barreiras que encontrei em nosso querido povo brasileiro foi o comodismo. Isso mesmo. Em geral você sabe que perde tempo, que não acha o que busca, sabe que tem como ser melhor, mas não busca as soluções. Preferimos perder tempo com coisas inúteis ("vai que encontremos algo divertido no meio disso") do que investir em aprendizado ou melhoria. Enxergamos a internet como apenas uma possibilidade e não uma solução.

Mas há também os interessados em desvendar os mistérios Internet e aprimorar o seu uso, pois sabem que têm em suas mãos uma ferramenta de trabalho muito preciosa. Porém, mais uma vez nós brasileiros ficamos pra trás. Quando buscamos aprender sobre a internet, nos deparamos com a maior parte da informação em inglês! E não entendemos. Ou entendemos pela metade, nos decepcionamos e... desistimos! Serviços muito bons, como o Multiply, por exemplo, estão em inglês e por isso muitos de nossos amigos não estão aqui. O orkut teve uma explosão enorme quando seu conteúdo ficou disponível também em português. Vi muitos amigos sofrerem para responder os campos do seu perfil ou inventarem desculpas para não estar no orkut. Depois da facilidade em português, estavam todos lá, todos os dias. Fico pensando até quando vamos ficar sem aprender outros idiomas. Mas o mais absurdo: não sabemos corretamente nem o nosso português!

Aí volto ao ponto anterior. Mesmo não sabendo inglês, podemos quebrar o galho. Sim! Há ferramentas de tradução na internet! Mas quantos sabem utilizá-las de forma eficiente, rápida? Você sabe?

Da mesma forma nos acomodamos ao consumir programas ou sistemas operacionais ruins sem buscar uma alternativa. Não sabemos fazer downloads e nem encontrar o que queremos. Mal sabemos quais alternativas existem. Simplesmente engolimos tudo que esta aí, seja na internet, na televisão, no rádio (que cada dia apresentam uma convergência maior).

Ok, ok. Muitos sabem como usar, filtrar e aprender. Conseguem encontrar o que buscam rapidamente e absorvem as novas e melhores tecnologias em tempo real. Mas são poucos. São poucos também os que vão ler esse texto até o final; e talvez sejam os mesmos. Essa ilha tem poucos habitantes.

(Hoje fico por aqui. Mas continua...)

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