sexta-feira, 11 de julho de 2008

Sociedade Virtual

Hoje estava dando aquela investigada na vida de alguns amigos no Orkut e comecei a pensar em como isso tudo era antes dessas redes sociais na Internet.
Sou muito jovem (hehe...), mas cresci e vivi toda minha infância sem sequer sonhar com esse nível de interação virtual que temos hoje. O Orkut ainda é fraco na questão da interação, mas é o mestre na exposição virtual das nossas vidas. Outras redes, como o MySpace, priorizam a interação entre os usuários e disponibilizam ferramentas muito interessantes pra manter contato com os amigos, compartilhar desejos, experiências, gostos musicais e tudo mais. Nos últimos meses o Orkut também tem se dedicado a aprimorar suas ferramentas de interação.

A tradicional 'fofoca' agora está definitivamente virtualizada e planificada. Não interessa em que lugar do mundo você mora, todos podem saber o que você anda fazendo, que festas está frequentando, onde está trabalhando e por aí vai. E não adianta nem deixar de colocar fotos ou vídeos no seu perfil. A gente olha o perfil do amigo e acha você lá, dando risada naquela festa que disse estar horrível.
Nas comunidades a gente descobre de tudo. Desde visão política até bebida preferida. Mesmo ocultando alguma informação no perfil, acabamos nos entregando com as comunidades das quais participamos e com as interações que mantemos com outros usuários. Temos as opções de privacidade também, mas algo acaba escapando.
Mas e aí vem um dúvida que sempre desperta em minha mente:

Será que esse sujeito do Orkut, do MySpace, é o mesmo na vida real?

Muita gente acaba criando no cyberespaço um personagem que vive uma realidade diferente daquela do mundo físico. O perfil do orkut gosta de esportes radicais, mas o sujeito real se borra de medo e não pratica nenhum. O perfil é católico ortodoxo, mas ele nunca frequentou nenhuma Igreja.

E depois vem outra pergunta: mas, e daí?

Antes de ter Orkut e MySpace esse sujeito simplesmente mentia ao vivo as mesmas coisas. Fantasiava uma vida que ele queria e quase acreditava que vivia aquilo. Conheci pessoas assim e você certamente também conhece. Agora é virtual.

Mas a discussão sobre essa perda de privacidade é muito grande a apavora muita gente. Porém, cada um de nós está com seu personagem lá por que assim quis; por que hoje isso faz parte da nossa vida social.

O que não dá pra esquecer é que toda informação que está lá é criada por pessoas, por você mesmo. E, em geral, uma falha, uma informação privativa que é usada de forma maléfica, não é culpa da Internet, do Orkut ou do Bill Gates (até se aposentou, coitado! Hehe...). A culpa é sua, que não soube usar as ferramentas disponíveis, que foi ingênuo. E se você foi ingênuo no mundo virtual, certamente é também na vida real.

Volto a lembrar da minha infância. Agora sim tenho preocupações. As crianças. Quando saía de casa, minha mãe dizia: não aceita carona de gente que você não conhece, não come nada que gente estranha oferecer, olha pros dois lados antes de atravessar a rua, não vai muito longe, e mais uma lista de coisas que variava de acordo com a situação. Eu achava isso um saco, era uma criança ingênua como qualquer outra, daquele tempo ou de agora. Hoje sei que era importante, que ajudou a me manter vivo.

Mas e será que hoje, quando as crianças vão pra frente dos seus computadores, os pais dão todos esses avisos? Até onde elas podem ir? Com quem podem falar? Que propostas podem ou não aceitar? Que conteúdo é aceitável para elas? O que podem ou não dizer? Que informações podem ou não revelar?

O que vejo hoje são muitos pais pensando que isso se aprende na escola e que a Internet é uma distração interessante para seus filhos não tomarem seu tempo precioso. Enxergam o computador como a geração anterior enxergava a televisão, porém hoje do outro lado da telinha tem alguém espiando, estamos numa via de mão dupla.

Assim como meus pais controlavam minhas atividades e davam recomendações para que eu criasse meu discernimento social, hoje as crianças precisam também de orientações para desenvolver seu discernimento virtual. Infelizmente os pais de hoje não cresceram com a cultura da sociedade virtual e não sabem como lidar com ela nem como orientar seus filhos (estou generalizando... há exceções, claro!).

Não tenho como pregar muita moral aqui. Não sou pai ainda. Mas vejo coisas assim acontecendo e queria trazer essa discussão.

Penso que em alguns anos, uma próxima geração de pais que já estão habituados com a malandragem e os perigos virtuais conseguirão orientar seus filhos sobre isso com mais destreza, assim como meus pais, conheçendo as maldades de sociedade onde cresceram, puderam me orientar. Estamos vivendo uma fase de transição muitíssimo interessante, iniciada nos anos 90 e intensificada nos últimos anos com a socialização de tecnologias e facilidade de acesso a computadores e à Internet.

E você? O que pensa sobre o assunto?
Você pensa?
Hehe...

Abraço!!


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